quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobre o poeta Pedro Kilkerry

Entrevista de Cleise Mendes sobre Pedro Kilkerry. O vídeo integra o projeto Arte e Cultura na Diáspora, de Paulo Dourado, lançado no TMG.
Parte 1


Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"O Idiota", a novela no palco

       Em cartaz no Sesc Pompéia, até final de fevereiro e com ingressos esgotados, O Idiota de Fiódor Dostoiévski, roteiro adaptado pelo ator Aury Porto, tendo como colaboradores Vadim Nikitin, Luah Guimarãez e Cibele Forjaz, esta última responsável pela inventiva encenação que ocupa O Galpão, espaço da Fábrica, o belo projeto de Lina Bardi.
      Participam do elenco Aury Porto (Príncipe Míchkin), Fredy Allan (Kólia), Luah Guimarãez (Nastássia Filípovana), Lúcia Romano (Aglaia), Luís Mármora (General Ívolgun e Tôtski), Sergio Siviero (Ragôjan), Sílvio Restiffe (Gánia), Sylvia Prado (Lisavieta Iepántchina), Vanderlei Bernardino (Lhêbediev) e Otávio Ortega (Músico), atores reunidos de diversos grupos de teatro. Eles se encarregam dos personagens principais  e de outros que a ação exige, fato que demonstra a versatilidade do elenco muito bem conduzido por Forjaz.
         O Idiota conta o retorno de Míchkin a São Petersburgo após estadia na Suíça, onde foi se tratar de epilepsia.  Seu objetivo, ao retornar, é de se encontrar com Lisavieta, uma parenta distante. No trem Petersburgo-Varsóvia, Míchkin, o príncipe empobrecido, conhece Ragôjan, o novo-rico por herança, apaixonado por Nastácia, mulher fatal, afilhada e amante de Tôtski. As atitudes do príncipe, suas palavras e a aura de santidade que emana dele fascinam Ragôjan. Míchkin será atraído por Nastácia, mas logo se enamora de Aglaia, filha de Lisavieta. Forma-se então um triângulo, tensionado pela presença de Ragôjan. Para além de um enredo amoroso, O Idiota aprofunda-se na alma humana e expõe a intensa compaixão do príncipe, não somente pelos personagens que cruzam a sua vida, mas pela humanidade. Aí reside a sua falha trágica.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Convocatória

CONVOCATÓRIA
PUBLICAÇÃO

Grupo de Pesquisa

Dramatis – Dramaturgia: mídias, teoria, crítica e criação.


Em novembro de 2008, foi criado o Grupo de Pesquisa Dramatis – Dramaturgia: mídias, teoria, crítica e criação. Liderado pela professora Dra. Cleise Furtado Mendes – docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas - PPGAC/UFBA, professora de Dramaturgia na Escola de Teatro da UFBA e pesquisadora do CNPQ –, o grupo também é composto por professores e pesquisadores de Artes Cênicas, Letras e Comunicação.

Pela sua área de abrangência a atuação epistemológica, está associado às atividades da Linha 4 de pesquisa do PPGAC (Dramaturgia, História e Recepção - Pesquisas relativas à criação dramatúrgica para diversas funções e meios, historiografia, recepção, crítica e teoria do drama), mas envolve também a Linha 1 e seus pesquisadores: Antônia Pereira, Cleise Furtado Mendes, Elisa Mendes, Hebe Alves da Silva, Iara Sydenstricker, Luiz Felipe Botelho, Marcos Barbosa, Raimundo Matos de Leão e Cássia Lopes. São integrantes também outros nomes de pesquisadores da Linha 2: Evelina Hoisel, Guilherme Maia, Luiz Cláudio Cajaiba, Luiz César Alves Marfuz e Vera Motta. O projeto, no elenco heterogêneo de seus membros participantes, pretende reunir e integrar a produção artística e crítico-teórica de diferentes áreas de saber, agregando professores, bem como mestrandos e doutorandos, com projetos vinculados às áreas de estudos contempladas pelos pesquisadores citados.
         
O Dramatis caracteriza-se como um espaço de interseção entre as diversas funções e meios que hoje configuram o campo das práticas dramatúrgicas. Além de sua tradicional associação com as artes cênicas, tais práticas vêm sendo enriquecidas por novas relações entre criadores e receptores, graças à crescente demanda lançada por outros meios audiovisuais, que abrem possibilidades antes insuspeitadas para a experimentação de novos formatos para comunicação das obras dramatúrgicas. Ao mesmo tempo, a complexidade e a rapidez de difusão dessa praxis interpela decisivamente, em inúmeras questões, o conhecimento construído pela tradição crítico-teórica do drama. 

Assim, o grupo reúne projetos que investigam desde os diversos processos de composição dramática na contemporaneidade – como adaptações de textos, escrita e tradução de peças e roteiros para o palco, TV, vídeo, rádio e cinema – até estudos de teoria, história e crítica do drama. Para afirmar a interlocução de vozes sobre o tema do Dramatis, está sempre prevista, anualmente, a publicação de um livro.  

Será lançado, em 2011, o segundo livro do Dramatis, que receberá novos textos de colaboradores para a sua segunda publicação, informando que os ensaios devem se inserir na temática geral do grupo de pesquisa e devem seguir as normas previstas para edição:


1.    Envio do original em Microsoft Word, Times New Roman, 12; interlinha 1,5; texto justificado; título centralizado, em negrito; nome do autor à direita, com nota contendo titulação, instituição e e-mail.
2.    Mínimo de 10 páginas, máximo de 15.
3.     Notas de pé de página, em Times New Roman, 10, interlinha simples, texto justificado.
4.    Citações de até três linhas, no corpo do texto entre aspas, com mais de três linhas, recuadas à esquerda (4 cm de recuo) em bloco destacado, com interlinha simples, justificado e sem aspas.
5.    Sistema de chamada: autor-data, conforme ABNT.
6.    Referências no final do texto.
7.    Texto revisado sob responsabilidade do autor, acompanhado de declaração autorizando a publicação.
8.    Os conceitos emitidos em textos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
9.    Prazo para entrega dos originais: recebemos textos em fluxo contínuo
10. E-mail para envio do texto: entrar em contato por intermédio do blog DRAMATIS
Salvador, 30 de setembro de 2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

Drama, cena ou qualquer coisa...

Retomo aqui um registro feito  no blog Cena Diária, visto que o assunto deve ser discutido de maneira ampla por aqueles que se interessam pelo drama e pela cena, em fim pelo teatro que se organiza no presente. No Festival de Teatro de São José do Rio Preto (São Paulo) realizado em junho, o canadense Denis Marleau, da Cia UBU Théâtre apresentou sua versão de Os Cegos, do simbolista Maurice Maeterlinck. Consistia o trabalho na projeção em 3D da referida peça. Projetada em uma sala escura, a experiência de Marleau pode ser apreciada como uma instalação, acontecimento que se pode absorver como uma vídeografia que se utiliza das técnicas cinematográficas, ampliando sob o fundo negro (conforme a reportagem publicada em a Folha de S. Paulo, 24.06.2010), o rosto de dois atores interpretando os personagens criados por Maeterlinck. O texto trata de doze cegos perdidos na floresta de uma ilha. Sem o guia, descobrem em seguida que ele está morto.
Diante da proposta, pergunta-se: é teatro? Para Denis Marleau, o que se vê na sala escura é teatro. A afirmativa categórica põe por terra a tradição e tenta nos dizer que para ser teatro não há mais necessidade da presença viva do ator, sem outra mediação, comunicando-se com o espectador. O fato de a projeção estabelecer um elo comunicativo com os espectadores da experiência não avaliza  dizer que ela é um ato teatral. Nem mesmo a afirmativa de Marleau de que o ator não estando em cena, sua ausência instala a questão de sua presença, pode confirmar seu trabalho como teatral. Ao colocar em xeque a ideia, simples e ao mesmo tempo grandiosa, de que teatro é a relação que se dá entre o ator e o espectador, coloca-se tudo numa baciada. Quando uma coisa pode ser tudo, termina por não ser nada.